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Salvador Guedes

Presidente Conselho de Administração

Fundada em 1942 por Fernando van Zeller Guedes, a Sogrape nasceu com a ambição de dar a conhecer ao mundo e criar notoriedade para os vinhos portugueses. Durante mais de seis décadas, esta procura de primazia foi passada de geração em geração, suportada por amor e experiência. Hoje na terceira geração, Salvador da Cunha Guedes assume a liderança enquanto Presidente da Comissão Executiva, e este desejo de excelência continuada faz parte dos compromissos da Sogrape Vinhos para o futuro.

Filho mais velho de Fernando Guedes e Mafalda da Cunha Guedes, Salvador nasceu em Lisboa, em 1957. Licenciado em Gestão de Empresas pela City of London Business Polytechnical School, realizou um estágio nos EUA, começando a trabalhar na empresa Águas de Carvalhelhos como inspector de área no mercado nacional. Em Março de 1980 ingressou por concurso no departamento de marketing da Sogrape. Ainda nesse ano passou a gestor do mercado interno e, em 1984, a gestor dos mercados da CEE. Em 1989 ascendeu a Director de Marketing e a Presidente da Administração da Sogrape Distribuição, passando em Março de 1990 a integrar o Conselho de Administração da Sogrape. Entre 1991 e 1993 foi também Administrador da Unicer. Em 2000 sucedeu a seu pai na liderança da Sogrape, mas já antes Salvador teve a oportunidade de dirigir pessoalmente algumas das negociações mais importantes e complexas realizadas pela empresa (a entrada no sector do Vinho do Porto com a aquisição da Ferreira, em 1987, e a compra da Offley, em 1996; a aquisição da Finca Flichman, na Argentina, em 1997; a compra da Sandeman, em 2002; a entrada na Nova Zelândia, em 2007, com a compra da Framingham; a aquisição da Viña Los Boldos, no Chile, em 2008).

Em finais de 2008, a evolução estratégica definida para a Sogrape conduziu a uma necessária evolução do modelo organizativo, e o lugar que cumulativamente Salvador Guedes ocupa no Conselho de Administração da Sogrape Investimentos tem como principal objectivo focalizar a acção da empresa numa vertente corporativa, e assegurar à unidade de Portugal, através da Sogrape Vinhos, uma maior operacionalidade.

Com mais de 1300 hectares de vinha nas principais regiões vitivinícolas Portuguesas, na Argentina, na Nova Zelândia e no Chile, bem como empresas de distribuição própria em mercados estratégicos, Salvador Guedes assume o compromisso de sustentadamente fazer crescer o grupo Sogrape, sempre assente numa importante máxima de qualidade.

  • 1
    Como avalia os resultados da política de Inovação em Portugal?
    3
  • a)
    Quais os principais desenvolvimentos positivos das políticas de inovação em Portugal?
    1) Aumento da qualificação do capital humano.
    2) Aumento da produção de conhecimento.
    3) Reconhecimento da importância da inovação no sector empresarial.
    4) Maior aposta nas exportações.
    5) Maior foco na produção de bens transaccionáveis.
    6) Concursos QREN em ”guichet aberto”.
  • b)
    Quais os constrangimentos com que se deparou?
    Para além de se manterem os constrangimentos identificados em Janeiro de 2012:

    1) Falta de continuidade entre as políticas de I&D e as de inovação, sobretudo em termos de conversão do investimento em valor de mercado.
    2) Período prolongado de reflexão sobre as Estratégias de Eficiência Colectiva, multiplicando-se as avaliações e retardando a proposta de soluções para o futuro.
    3) Pouco dinamismo na articulação do Sistema Nacional de Inovação em resposta às perspectivas do 8.º Programa-Quadro (Horizonte 2020), à revisão da OCM e da PAC.
    4) Demora na criação de uma visão nacional para as indústrias estratégicas de base agrícola (que utilizam recursos endógenos e são normalmente positivas no balanço comercial) no plano de relançamento da indústria para o crescimento e a competitividade.
  • c)
    Indique os principais aspectos em que a política de Inovação tem contribuído, ou não, para a competitividade do País.
    Numa nota positiva, o foco na exportação de bens transaccionáveis foi correcto e tem sido um suporte importante ao qual o sector dos vinhos tem respondido activamente.

    A actual situação de indecisão relativa às Estratégias de Eficiência Colectiva e a falta de articulação entre as políticas de I&D e de inovação têm sido particularmente penalizadoras da inovação na indústria dos vinhos e estão a limitar a replicação dos avanços assinalados em Janeiro de 2012. O sector carece de uma visão articulada, atenta às suas especificidades (que não são as mesmas do restante sector agro-alimentar), para influenciar as políticas europeias no âmbito do Programa Horizonte 2020, da OCM e da PAC no sentido de aumentar o fomento à inovação de processos e produtos que possam converter o conhecimento gerado na I&D em valor de mercado.

    Finalmente, a contribuição do sector académico para uma inovação valorizável encontra-se fortemente condicionado pelo seu próprio sistema de avaliação de mérito, baseado em critérios de publicação científica e não em critérios de avaliação real da sua consequência económica. É uma situação que gera uma significativa ineficiência do sistema de inovação, conforme se pode constatar pela posição de Portugal neste índice: 67.º
  • 2
    Indique quais foram, em sua opinião, os principais factos ocorridos no último semestre que influenciaram a política de inovação em Portugal.
    Anúncio da preparação de uma estratégia de fomento industrial para o crescimento e competitividade.
  • 3
    Indique as principais inovações, a nível nacional e internacional, que mais o marcaram nos últimos 6 meses.
    1) GreenBottle:
    Novo tipo de embalagem de líquidos desenhada como alternativa ambientalmente segura às garrafas de plástico e cartões laminados. Feita de papel com um fino vedante plástico no interior. Após utilização, papel e plástico são facilmente separáveis para reciclagem.

    2) AQUASAFE / SIMTEJO:
    Maior eficiência na gestão de operações da rede de tratamento de águas residuais da SIMTEJO potenciando a utilização de informação em tempo real e a sua perfeita integração com ferramentas de previsão e diagnóstico. Objectivos de maior racionalidade no uso de água, redução de vazamentos e optimização do uso de energia.

    3) Consumo partilhado (shared consumption):
    Uma das mais importantes tendências sociais identificadas pelo World Economic Forum consiste na partilha de recursos, situações e experiências de consumo como forma de permitir ao consumidor optimizar o custo e a utilização dos bens e serviços.
  • a)
    Estimulam o empreendedorismo em Portugal
    1) Retorno dos capitais investidos.
    2) Realização pessoal.
    3) A I&D para a construção e inovação permanente de marcas, numa perspectiva de diferenciação sustentada.
    4) O património cultural rico e único.
    5) Os recursos endógenos, principalmente os exclusivos.
    6) A disponibilidade de mão-de-obra qualificada.
    7) As dinâmicas de rede e a partilha de recursos.
  • b)
    Dificultam o empreendedorismo em Portugal.
    1) A dificuldade de financiamento.
    2) A escassez de marcas fortes de nível global.
    3) A discriminação entre Grandes Empresas e PME, nomeadamente a inexistência de estratégias de promoção de tracção empresarial a nível nacional e internacional que potenciem sinergias económicas e de internacionalização.
    4) A progressiva diminuição de competências básicas pelas novas gerações.
    5) A incoerência regulamentar que ora onera o empreendedor com excessos burocráticos, ora o desprotege por falta de regulamentação adequada à sua actividade económica.
    6) A reduzida eficiência da administração pública.
    7) A falta de alinhamento da produção do sector científico com as necessidades do sector empresarial.
    8) A perda de capital humano qualificado para outros países.
    9) A injustiça e incoerência fiscais..
  • 5
    Que medidas teria incluído no Orçamento de Estado para 2013, para estimular práticas e apostas na Inovação ao nível das empresas?
    1) A elegibilidade em sede de SIFIDE de despesas de inovação derivadas directamente de projectos de I&D financiados pelo QREN ou pelo 7.º Programa-Quadro da União Europeia.
    2) O financiamento por um período máximo de 3 anos de iniciativas de tracção empresarial associando Grandes Empresas com taxas de exportação superiores a 50% das vendas a PME que pretendam oferecer inovações para as actividades das primeiras.
    3) O financiamento de estágios de longa duração (até 3 anos) de jovens qualificados (nível V e VI) contratados para a execução de actividades de I&D, inovação ou internacionalização.
    4) O fomento da realização remunerada de serviços de consultoria a empresas por parte de departamentos universitários, envolvendo simultaneamente docentes e estudantes, como parte da formação curricular destes últimos.
  • 6
    Quais as prioridades das organizações que dirige/acompanha face à actual conjuntura do País?
    1) Manter o nível de actividade, impulsionando as exportações e aproveitando as oportunidades dos mercados emergentes.
    2) Rigoroso acompanhamento de custos e de políticas de eficiência interna.
    3) Maior ênfase na “gestão do Balanço”, nomeadamente na componente de Fundo de Maneio e, consequentemente, nível de endividamento financeiro.
  • 7
    Qual deve ser o papel da Inovação para ultrapassar as dificuldades defrontadas pelo nosso País?
    A inovação deve servir como veículo de valorização do conhecimento, identificando as oportunidades da sua utilização numa lógica de eficiência para as organizações empresariais.

    As actividades de inovação deveriam ser abrangentes (produtos, processos, organizações, marketing), ponderadas por análises custo/benefício e risco prévias, enquadradas em projectos de implementação realistas e exigentes e executadas com rigor e abertura à possibilidade de fracasso (em cujo caso deveriam ser sempre terminadas por uma análise post-mortem).

    A inovação incorporada no sector empresarial deve servir como um dos factores de qualificação, avaliação de mérito e progressão hierárquica dos investigadores cujo trabalho para ela contribuiu, bem como das instituições que os enquadram.

    A inovação deve ser factor de valorização do capital humano, natural e económico português, enquanto processo da sua transformação em bens e serviços transaccionáveis, particularmente dos recursos endógenos do território português, numa lógica de sustentabilidade geral.